" O ANTI-ÉDIPO" - Capitalismo e Esquizofrenia - Gilles Deleuze / Félix Guatarri











COMO PODEMOS NÓS DESEJARMOS A SERVIDÃO, A EXPLORAÇÃO E A TORTURA??????










                                             Foto: extraída de www.skoob.com.br


Livro seminal publicado em 1972,de  Deleuze(filósofo) e Guatarri(psiquiatra e psicanalista heterodoxo), ambos franceses, gestado sob a influência dos acontecimentos contestatórios de Maio de 1968, dos quais ambos participaram, ainda que sem se conhecer pessoalmente.


             Foto: Deleuze(E) e Guatarri em momento de descontração no início da década de 70
                          extraída de http://speakingmatter.wordpress.com

Trata-se de obra de cunho marxista, militante e revolucionário. Formula nova Teoria do Desejo. Ataca a Edipianização empreendida pela Psicanálise de Freud e de Lacan, que funcionaria como aparelho de repressão sobre a produção desejante.



                                 Ao invés do modelo do Neurótico, proposto pela Psicanálise Freudiana e Lacaniana, Deleuze-Guatarri apresentam a Inspiração Esquizofrênica.


                       FOTO: reprodução extraída de www.esquizofrenia.com.br

O Capitalismo e a sociedade burguesa usam Édipo para transformar as pessoas em Neuróticos Castrados."O que isso significa ? " é a pergunta chave. O Consumo fornece "alívio" à angústia existencial. O desejo é esvaziado. A experimentação é negligenciada. O Medo impera. A segurança dos pilares do "status quo" não é ameaçada.


                             Foto:reprodução da pintura Édipo e a Esfinge, de Ingres extraída de                                                                                                        http://www.fflch.usp.br/dh/heros/FMP/edipo.htm


Três máquinas sociais(a máquina primitiva dos selvagens, a máquina despótica dos selvagens e a máquina capitalista dos civilizados) são descritas no livro de Deleuze e Guatarri como forças neutralizadoras do desejo.

Deleuze e Guatarri afirmam que o modo de vida esquizofrênico resiste a esta Edipianização do Mundo e da Vida. O Esquizofrênico é Nômade(Desterritorialização-Reterritorialização). O Esquizofrênico é Mutante. O Esquizofrênico não Cria Raízes. O Esquizofrênico não se deixa Interpretar. O Esquizofrênico não se deixa Capturar. Experimentar é mais relevante que Interpretar. "Como isso funciona?" é o mote constante.O Esquizofrênico quer e precisa desesperadamente da  Intensidade. Repetir é Insuficiente. Desorganizar-se e Perder-se. Transitoriamente(essencial para evitar a clausura)... Para se Encontrar Genuinamente. Para Desenvolver o CORPO SEM ÓRGÃOS. O Esquizofrênico despreza instituições. Não é Gregário. Prefere a Exceção à Regra.



                     Foto:Reprodução da Pintura "O Grito" de Edward Munch


Para o filósofo e professor Luiz Orlandi, poderíamos reunir as teses de " O Anti Édipo":

1.O Inconsciente funciona como uma fábrica e não como um teatro;

2.O Delírio, ou o Romance, é histórico Mundial e NÃO FAMILIAR;

3.Há uma História Universal, que é da Contingência.


COMO PODEMOS NÓS DESEJARMOS A SERVIDÃO, A EXPLORAÇÃO E A TORTURA??????


Por uma Vida Não Fascista






-Libere a ação política de toda a forma de paranóia unitária e totalizante.
 

- Faça crescer a ação, o pensamento e os desejos por proliferação, justaposição e disjunção, antes que por submissão e hierarquização piramidal.

- Libere-se das velhas categorias do Negativo (a lei, o limite, a castração, a falta, a lacuna) que o pensamento ocidental por tanto tempo manteve sagrado enquanto forma de poder e modo de acesso à realidade. Prefira o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas, considere que o que é produtivo não é sedentário, mas nômade.

- Não imagine que precise ser triste para ser militante, mesmo se a coisa que combatemos é abominável. É o elo do desejo à realidade (e não sua fuga nas formas da representação) que possui uma força revolucionária.

- Não utilize o pensamento para dar a uma prática política um valor de verdade; nem a ação política para desacreditar um pensamento, como se ele não fosse senão pura especulação. Utilize a prática política como um intensificador do pensamento, e a análise como um multiplicador das formas e dos domínios de intervenção da ação política.

- Não exija da política que ela restabeleça os «direitos» do indivíduo, tais como a filosofia os definiu.O indivíduo é o produto do poder.
O que é preciso é «desindividualizar» pela multiplicação e pelo deslocamento, pelo agenciamento de combinações diferentes. O grupo não deve ser o elo orgânico que une indivíduos hierarquizados, mas um constante gerador de «desindividualização».
 

- Não se apaixone pelo poder.


Introdução à vida não fascista- Michel Foucault [Prefácio à edição americana do Anti-Édipo, de Gilles Deleuze e Félix Guattari . N. York, Viking Press, 1977].