Durante entrevista concedida ao tradicional programa da TV Cultura de SP, Roda Viva, o atual ministro da Fazenda do Governo Lula em 2026, Dario Durigan admitiu que o rombo na empresa estatal moribunda mantida viva com injeção de recursos do Tesouro por decisão política de Lula, deve chegar a mais de R$ 10 bilhões em 2026.Lula já se disse contrário à privatização dos Correios.
foto:Ricardo Stuckert;Reprodução Internet
Em 2025, os Correios tiveram prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Durigan disse que Lula monitoria as ações de recuperação da empresa prometidas pelo atual presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, que projetou programa de demissão voluntária pra corte de pessoal, parcerias nacionais e internacionais.
Durigan tergiversou em relação à privatização mas se disse favorável à flexibilização de algumas operações que somente os Correios entregam como notificações judiciais.Do passivo de R$ 8,5 bilhões dos Correios em 2025, R$ 6,4 bilhões apenas com precatórios.Foi o 14 prejuízo dos Correios desde o quarto trimestre de 2022.Nos últimos dias de 2025, os Correios receberam um aporte de R$ 12 bilhões, garantidos pelo Tesouro Nacional, a pedido de Lula, e feitos pelos bancos públicos Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e pelo banco privado Bradesco com R$ 3 bilhões cada mais aportes de Itaú e Santander com R$ 1,5 bilhão cada.

A receita dos Correios em 2025 foi cerca de R$ 17,3 bilhoes, 11,35% menor que em 2024.Nos primeiros meses de 2026, cerca de 3 mil trabalhadores dos Correios aderiram ao programa de demissão voluntária, cerca de redução de 40% dos gastos fixos da empresa.As despesas dos Correios em 2025 subiram 37% e as receitas cairam 12%.Os correios estiveram na raiz da descoberta do Escândalo do Mensalão que abalou o primeiro mandato de Lula, colocou 3 deputados na cadeia,entre eles o ministro da Casa Civil de Lula, deputado federal José Dirceu. O único que continua preso é o publicitário Marcos Valério Fernandes, que ao ser preso, denunciou todo o esquema de compra de votos de parlamentares do Congresso pelo Governo Lula com dinheiro de Estatais como os Correios. Após, em 2016, estouro a fraude do Postalis, fundo de pensão dos trabalhadores dos Correios com desvio de mais de R$ 12 bilhões e com participação de políticos do MDB e do PT.O ex diretor do Postalis, Antônio Carlos Conquista filiado ao PT e indicado por Wagner Pinheiro,ex-presidente dos Correios e demitido, foi condenado em 2021 por participação na fraude dos Postalis.O ex líder do governo Dilma Roussef no Senado, Delcídio do Amaral(PT-MS) revelou, em 2016 ,que o silêncio de Marcos Valério sobre o mensalão seria mantido às custas das propinas das empresas doadoras envolvidas no escândalo do Petrolão, que teve ciência de Lula e Dilma Roussef, segunda a delação premiada do ex ministro da Fazenda de Lula, Antônio Pallocci.


A Superintendência Nacional de Previdência Complementar(PREVIC), vinculada ao Instituto Nacional de Seguridade Social(INSS), subordinados ao Ministério da Previdência Social, após 6 meses de investigação, conclui que o rombo de R$ 5,6 bilhões do Fundo de Pensão e Aposentadorias da Empresa de Correios e Telégrafos, o POSTALIS, é de sua diretoria e conselho deliberativo.O POSTALIS é o maior fundo de pensão e aposentadoria do Brasil em número de contribuintes, com 196 mil pessoas participantes.
foto:Postalis Divulgação
Os relatórios confidenciais da PREVIC sobre o período entre 2012 e 2014 que imputam responsabilidade ao ex-presidente do Postalis, Alexej Predtechensky, o "Russo", afilhado político do ex-Ministro de Minas e Energia do Governo Dima Roussef, Edison Lobão(PMDB-MA), do grupo político do ex-presidente e ex-senador José Sarney(PMDB-MA), também envolvido na quebra da construtora Encol e em gestão fraudulenta de concessionária BMW em Brasília em sociedade com Márcio Lobão(filho do Ex-Ministro e Senador Edison Lobão) e ao ex-diretor financeiro do Postalis Adilson Costa, apadrinhado político do presidente do Senado Federal Renan Calheiros(PMDB-AL), aos demais diretores e conselheiros do POSTALIS (sob esfera de influência do PMDB do Senado e do PT da Câmara)foram enviados à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal no fim de 2014. O Postalis foi citado somente em abril de 2015 a prestar esclarecimentos. Renan nega ter feito indicações à direção do Postalis. Sarney e Lobão não foram localizados.Os diretores envolvidos do POSTALIS já haviam sido autuados por diversas vezes pela PREVIC.
foto: Senador Edison Lobão(PMDB-MA), e o ex-presidente do POSTALIS, Alexej Predtechensky, o "Russo"/Ueslei Marcelino/Reuters e Aureliza Correa/DA Press
foto: o Presidente do Senado, Renan Calheiros(PMDB-AL) e o ex-diretor financeiro do POSTALIS, Adilson Costa, responsável pela compra de papéis comprometidos do Grupo Galileo Educacional/Revista Época
Entre os investimentos realizados pelos gestores do POSTALIS que resultaram em prejuízo bilionário aos trabalhadores e trabalhadoras dos CORREIOS, estão aplicações em títulos de instituições bancárias liquidadas como BVA e Cruzeiro do SUL, ações de empresas que faliram como a EBX de Eike Batista e Galileo Educacional e títulos da dívida pública de países como Venezuela e Argentina.
O Conselho Deliberativo do POSTALIS impôs um desconto de 25,9% nos salários dos trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos que ingressaram na empresa estatal até o ano de 2005(cerca de 71 mil pessoas), além da contribuição mensal ao fundo de pensão e aposentadoria, durante 15 anos, sujeito a reajustes, a fim de compensar o rombo no Plano de Benefício Definido Saldado(PBD). Este desconto foi prontamente repudiado pelos sindicatos dos trabalhadores da ECT e outros organismos sindicais de trabalhadores.José Rodrigues dos Santos Neto, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores das Empresas de Correios, Telégrafos e Similares(FENTECT), ligada à Central Única dos Trabalhadores(CUT) e que representaria 70% dos 120 mil trabalhadores da ECT e Luiz Alberto Menezes Barreto, presidente da Associação Nacional dos Profissionais dos Correios(ADCAP), que congrega os profissionais mais graduados da estatal, promoveram paralisação da categoria e ingressaram com ações judiciais em repúdio à medida. As representações dos trabalhadores da ECT obtiveram liminar em 23 de abril de 2015 na primeira instância da Justiça Federal em Brasília para evitar o desconto em folha de pagamento que foi cassada pelo Tribunal de Justiça da capital brasileira em 30 de abril de 2015.
foto:Fentect
Em 09 de abril de 2015, o governo federal, através de ação do seu articulador político, o vice presidente Michel Temer(PMDB-SP) agiu para evitar a instalação da CPI dos Fundos de Pensão, no Senado Federal, que deveria investigar além do POSTALIS, o FUNCEF(Caixa Econômica Federal), o PREVI(Banco do Brasil), o PETRUS(Petrobrás), também envolvidos em supeitas de desvios e fraudes.Em 5 de maio de 2015, a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado Federal disse que iria convocar a diretoria do POSTALIS para explicar as circunstâncias e motivos do rombo no fundo de pensão e aposentadoria dos Correios.
Em 15 de fevereiro de 2015, foi veiculada notícia de que a instituição de fiscalização do mercado financeiro norte americano, SEC (Securities and Exchange Comission) teria emitido relatórios endereçados à justiça do Estado da Califórnia, responsabilizando o POSTALIS e a Atlântica Asset Management(gestora contratada pelo POSTALIS) para vender títulos da dívida pública brasileira no exterior, por fraudes realizadas entre 2006 e 2009, que chegaram a valores até aquele momento, de US$ 24 milhões(R$ 68 milhões).A Atlântica Asset Management era controlada por Fabrizio Neves e José Luna, também sócios em outra empresa a LatAm, responsável pelo repasse de títulos remarcados a off-shores de paraisos fiscais, também de propriedade dos empresários. Uma Off Shore(empresa ou conta aberta em paraísos fiscais que pode omitir o nome do seu proprietário e pagar menos imposto que em seu país de origem) que não pertenceria à Fabrizio Neves e José Luna e que teria sido beneficiada também pelo esquema foi a SPECTRA TRUST, pertencente a Alexej Predtechensky, então presidente do POSTALIS.Após o escândalo, o POSTALIS entrou na justiça americana contra o Bank of New York Mellon que foi contratado para administrar e fiscalizar os gestores do Brasil Sovereign Fidex, como a Atlântica Asset Management, que foi extinta. Fabrizio Neves teria residência fixa no exterior e teria tido apoios políticos em 2006 dos senadores Edison Lobão(PMDB-MA) e Renan Calheiros(PMDB-AL) para começar a operar no POSTALIS.
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), patrocinadora do Postalis, criou o fundo em 1981, para complementar aposentadoria e pensões de seus colaboradores.O Atual presidente do Postalis é Antônio Carlos Conquista, ex-funcionário do BANESPA por 25 anos, ex-diretor administrativo da Caixa Beneficente dos Funcionários do Banco do Estado de São Paulo(CABESP) até 2003, ex-chefe de gabinete da presidência do Fundo de Pensão e Aposentadoria dos Funcionários da Petrobrás(PETROS) entre 2003 e 2007 e como gerente executivo de Administração do PETROS entre 2007 e 2009,ex-diretor executivo na Fundação de Seguridade Social (GEAP) entre 2009 e 2010 e ex Secretário de Infraestrutura e Fomento do Ministério da Pesca e Aquicultura entre 2011 e 2012.Conquista foi indicado ao cargo pelo atual presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos(ECT), o economista Wagner Pinheiro, oriundo da direção do sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo, vinculado à Central Única dos Trabalhadores(CUT),ex-assessor da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo(mandato do ex-deputado estadual Jose Dirceu(PT-SP), ex-presidente do PETROS entre 2003 e 2007 e indicado à presidência dos CORREIOS pelo Ministro das Comunicações Paulo Bernardo(PT-PR), na transição do governo Lula para o Governo Dilma Roussef.O Presidente do Conselho Administrativo do Postalis é Ernani de Souza Coelho, funcionário aposentado dos Correios, marido da ex-senadora Fátima Cleide (PT-RO) e contratado como assessor especial da presidência dos CORREIOS. As eleições para os conselhos do POSTALIS são questionadas em sua legitimidade e idoneidade por correntes sindicais independentes que denunciam conluio entre direção dos Correios e direção do POSTALIS e seu Conselho Deliberativo para fraudar o fundo de aposentadoria e pensões da empresa estatal e seus trabalhadores.

foto:Presidente dos Correios, Wagner Pinheiro(à esquerda) prestigia cerimônia de despedida do ex-presidente do POSTALIS, Alexej Predtechensky, em 2011/Postalis
Em Maio de 2014, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos(ECT) mudou sua logomarca, numa operação que deve custar aos cofres da empresa estatal de R$ 40 a R$ 100 milhões.
foto:Nova logomarca dos Correios/Divulgação ECT
A empresa Brasileira dos Correios e Telégrafos(ECT) esteve no epicentro de escândalo em maio de 2005, envolvendo o então presidente nacional do PTB, ex-deputado federal Roberto Jefferson(PTB-RJ), que culminou na ação penal 470, mais conhecida como "Mensalão".