Orides Fontela nasceu em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo,filha de um marceneiro e de uma dona de casa.
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Em 1956, aos 16 anos, publicou seu primeiro texto no jornal do município.
Em 1966, aos 26 anos, mudou-se pra São Paulo.
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Em 1967, teve poemas publicados no suplemento literário do Estado de SP.
Em 1968, aos 58 anos,morreu de tuberculose na cidade de Campos do Jordão em SP, vitima de tuberculose.
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A Estréia de Orides como escritora se deu com a publicação de Transposição, de 1969.
Depois vieram: Helianto(1973), Alba(1983), Rosácea(1986), Trevo(1988), Teia(1996).
Sua obra foi reconhecida desde o inicio pelos professores da Universidade de São Paulo Antonio Candido e Marilena Chauí, que foram seus docentes no curso de filosofia em que se formou em 1968.
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A 24 Festa Literária de Paraty(FLIP) uma das mais prestigiadas do Brasil homenageia Orides Fontela em 2026.
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Mulher magra, de cabelos curtos e óculos de grossas lentas, Orides Fontela enfrentou dificuldades de relacionamento, a indiferença e a pobreza.Muito introspectiva desde a infância, Orides Fontela amava escrever e relutava em participar de eventos sociais.Foi alfabetizada pela mãe, mas foi com o pai que ouviu suas primeiras estórias e com ele desenvolveu maior conexão afetiva, apesar do mesmo ser analfabeto.
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Em 1974, foi premiada com o Jabuti.
Marilena Chauí disse que Orides Fontela criticava aulas ruins da USP e as elogiava quando eram do seu agrado além de sair da sala de aula aos gritos numa situação ou na outra.
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Suas maiores influências foram Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.
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Orides escreveu mais de 200 poemas, publicados em 5 livros, e sua poesia traz a natureza e os pássaros e a presença de pausas, interrupções e perguntas que provocam reflexões e espantos.Outra marca da poesia de Orides é o uso da pontuação como estratégia e tática auxiliares pra comunicar sensações, emoções e causar impactos diversos nos leitores.
Em 1996, sua antologia Teia, ganhou o Prêmio da Associação Paulista dos Criíticos de Arte(APCA).Em 1996, foi entrevistada por Jô Soares em seu talk show, com grande audiência.
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A religiosidade católica, a mitologia greco romana e o zen budismo aparecem com força na poética de Orides Fontela.
Orides Fontela trabalhou como professora e bibliotecária.
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A Poesia foi reconhecida por intelectuais interessados em poesia, mas pode e deve alcançar públicos maiores e mais amplos.
Alguns poesias de Orides Fontela:
FALA
Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.
Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.
Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.
Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.
(Toda palavra é crueldade.)
***
TEMPO
O fluxo obriga
qualquer flor
a abrigar-se em si mesma
sem memória.
O fluxo onda ser
impede qualquer flor
de reinventar-se em
flor repetida.
O fluxo destrona
qualquer flor
de seu agora vivo
e a torna em sono.
O universofluxo
repele
entre as flores estes
cantosfloresvidas.
– Mais eis que a palavra
cantoflorvivência
re-nascendo perpétua
obriga o fluxo
cavalga o fluxo num milagre
de vida.
***
ROSA
Eu assassinei o nome
da flor
e a mesma flor forma complexa
simplifiquei-a no símbolo
(mas sem elidir o sangue).
Porém se unicamente
a palavra FLOR – a palavra
em si é humanidade
como expressar mais o que
é densidade inverbal, viva?
(A ex-rosa, o crepúsculo
o horizonte.)
Eu assassinei a palavra
e tenho as mãos vivas em sangue.
***
O GATO
Na casa
inefavelmente
circulam olhos
de ouro
vibre ( em ouro) a
volúpia
o escuro tenso
vulto do deus sutil
indecifrado
na casa
o imperecível mito
se aconchega
quente (macio) ei-lo
em nossos braços:
visitante de um tempo sacro (ou de um não tempo).
***
SILÊNCIO
I
A madrugada.
Seu coração de silêncio.
II
O silêncio cheio
de peixes
de irisados peixes
úmidos.
III
Grandes árvores
ânforas
transbordantes de silêncio.
IV
Galos
no alto silêncio
impressos
seda
translúcida do silêncio.
***
TEOLOGIA
Não sou um Deus, Graças a todos
os deuses!
Sou carne viva e
sal. Posso morrer.
***
NOTURNO
Os que nascem de noite
e, entre ossos, vigiam
o fogo
os que olham os astros
e, oprimidos, respiram
em cavernas
os que vão viver apesar
da escuridão e nos olhos
a luz clandestina
acendem
os que não sonham, os que nascem
de noite
não vieram brincar: seu peito
guarda uma só palavra.
***
TEIA
A teia, não
mágica
mas arma, armadilha
a teia, não
morta
mas sensitiva, vivente
a teia, não
arte
mas trabalho, tensa
a teia, não
virgem
mas intensamente
prenhe:
no
centro
a aranha espera.
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